Tagaz
Nome científico: Gelochelidon nilotica
Família laridae
- Fenologia Continente
- Reprodutor estival e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O tagaz nidifica, entre abril e julho, de forma descontínua, ocorrendo no sul e centro da Europa, na Ásia, na América do Norte e do Sul e ainda na Austrália (Billerman et al. 2026). Parte da população europeia é migradora, invernando na África Ocidental. Em Portugal continental o tagaz nidifica a sul do Tejo em núcleos reprodutores localizados sobretudo em albufeiras no Alentejo, mas também no estuário do Tejo, sendo provável a sua nidificação na Ria de Aveiro (Equipa Atlas 2022). As primeiras aves surgem a partir de março, com a maioria a chegar em abril e podendo ser observadas até meados de setembro. No litoral, ocorre em número reduzido, sobretudo em zonas costeiras estuarinas entre maio e agosto (Catry et al. 2010a). Nos últimos anos é uma presença regular nos Açores ao longo de todo o ano havendo poucos registos na Madeira, onde ocorre principalmente durante o verão (Correia-Fagundes et al. 2021; eBird 2026).
Abundância e evolução populacional
A população europeia foi estimada entre 16.600 a 21.200 casais com uma tendência de crescimento, apesar de se suspeitar que a população global esteja em declínio (BirdLife International 2025). Em Portugal, estima-se que existam entre 1.000 e 2.000 casais reprodutores, sendo o Alentejo a principal área de ocorrência, com particular destaque para as albufeiras do Alqueva e do Caia (Equipa Atlas 2022). A ocupação destas áreas de nidificação é dinâmica, registando-se oscilações interanuais no número de casais reprodutores, sem evidência de uma tendência consistente de crescimento sustentado nos anos mais recentes. Este padrão reflete a natureza irregular da nidificação e a elevada dependência de condições ambientais favoráveis.
Esta dinâmica é corroborada pela análise do estado ambiental para o indicador de abundância da população reprodutora que evidencia forte variabilidade interanual. Ainda assim, a espécie atingiu o Bom Estado Ambiental para esse indicador. No caso dos Açores e da Madeira, a informação disponível não permite aferir a evolução populacional da espécie, impossibilitando a avaliação do seu estado ambiental.
Ecologia e habitat
O tagaz frequenta sobretudo estuários, lagoas costeiras, salinas, sapais, arrozais inundados e zonas húmidas interiores, incluindo albufeiras e lagos temporários. A alimentação baseia-se maioritariamente em pequenos peixes, mas também inclui insetos aquáticos e terrestres, crustáceos, anfíbios e pequenos répteis (Billerman et al. 2026), capturados através de voos rasantes sobre a água ou o solo. É uma espécie colonial que nidifica em solos arenosos, bancos de lodo ou margens descobertas, geralmente em locais com vegetação muito escassa ou ausente.
Ameaças e conservação
As principais ameaças ao tagaz, em Portugal, estão associadas à perda, degradação e perturbação dos habitats de nidificação, nomeadamente zonas húmidas costeiras e interiores. A drenagem, a intensificação agrícola, as alterações na gestão de salinas, a perturbação humana durante a época reprodutora, a predação de ovos e crias e as flutuações artificiais do nível da água constituem fatores críticos. As alterações climáticas poderão agravar estas pressões, através do aumento da frequência de secas e de eventos extremos. A conservação da espécie depende da gestão adequada das zonas húmidas, do controlo da perturbação nos locais de reprodução e da monitorização regular das populações. A criação ou manutenção de ilhas artificiais e áreas abertas pode igualmente favorecer o sucesso reprodutor.
Autor
Joana Andrade
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
eBird (2026). eBird: An online database of bird distribution and abundance (web application). eBird, Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, New York. Disponível em http://www.ebird.org e acedido a 02.02.2026. Bibliografia:
Correia-Fagundes C, Romano H, Zino FJA & Biscoito M (2021). Birds of the archipelagos of Madeira and the Selvagens III. New records and checklist update (2010-2020). Boletim do Museu de História Natural do Funchal LXXI: 5-20. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental.