Tarambola-cinzenta
Nome científico: Pluvialis squatarola
Família charadriidae
- Fenologia Continente
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A tarambola-cinzenta nidifica entre maio e agosto, no extremo ártico da Rússia e da América do Norte (Billerman et al. 2026). Em Portugal ocorrem as aves oriundas das populações siberianas durante as suas migrações, ficando por cá uma boa parte delas ao longo de todo o inverno. Além disso, alguns indivíduos não reprodutores permanecem no nosso país ao longo de todo o ano (Lourenço et al. 2018). A tarambola-cinzenta ocorre principalmente nas zonas húmidas e costeiras do continente (Equipa Atlas 2018). Tem uma maior expressão na metade sul da região, nomeadamente nos estuários do Tejo e Sado, na lagoa de Santo André e na Ria Formosa. Com menor expressão, ocorrem em alguns estuários no noroeste e na Ria de Aveiro. Uma pequena porção usa também grande parte da orla costeira não estuarina (Lecoq et al. 2013). Nos Açores e na Madeira, a espécie ocorre de forma acidental, tendo sido observada principalmente na orla costeira das várias ilhas destes arquipélagos.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada entre 1.000.000 e 2.500.000 aves reprodutoras, com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). Em Portugal continental, a população invernante foi estimada em cerca de 6.500 indivíduos, dos quais 1 a 2% utilizam o litoral marinho (Lecoq et al. 2013). Comparando com os registos mais antigos (Catry et al. 2010a), aparenta ter uma tendência estável (Lourenço et al. 2018; Belo et al. 2023), apesar do notável decréscimo na pequena porção que utiliza a costa não-estuarina (Lecoq et al. 2013). Apesar de todas estas incertezas, esta população aparenta ter atingido o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Já nos Açores e na Madeira, o efetivo populacional é bastante escasso, quer no inverno, quer durante a migração (Equipa Atlas 2018). No entanto, estas populações apresentam uma tendência negativa, não tendo atingido o Bom Estado Ambiental.
Ecologia e habitat
A tarambola-cinzenta ocorre sobretudo em estuários e outras zonas húmidas costeiras (Equipa Atlas 2018). Apesar de preferir os setores com sedimentos móveis finos, no litoral marinho explora igualmente zonas rochosas, com uma faixa intermareal ampla (Lourenço et al. 2013). Nos Açores e na Madeira tem uma preferência pelas zonas costeiras, apesar de ser também observada em áreas mais interiores das ilhas. Durante a invernada, a dieta consiste em invertebrados, principalmente poliquetas, bivalves e crustáceos, quer a nível global (Billerman et al. 2026) como a nível nacional (Moreira 1996; Lopes et al. 1998; Lourenço 2019).
Ameaças e conservação
A nível global, a degradação e a conversão de habitat parecem ser as principais ameaças nos locais de alimentação e repouso durante a migração e a invernada. Adicionalmente, as alterações climáticas poderão comprometer o sucesso reprodutor e conduzir a uma redução significativa do habitat de nidificação. Entre as principais causas de pressão incluem-se o desenvolvimento urbano, a expansão da indústria da aquacultura, a instalação de refinarias de hidrocarbonetos e a perturbação associada à indústria pesqueira (BirdLife International 2025). Em Portugal, a perturbação nos locais de alimentação e de repouso poderá constituir um fator de ameaça para a população invernante.
Autor
Nuno Oliveira
Moreira F (1996). Diet and feeding behaviour of grey plovers Pluvialis squatarola and redshanks Tringa totanus in a southern European estuary. Ardeola 43: 145–156. Bibliografia:
Lourenço PM, Catry P, Lecoq M, Ramírez I & Granadeiro JP (2013). Role of disturbance, geology and other environmental factors in determining abundance and diversity in coastal avian communities during winter. Marine Ecology Progress Series 479: 223-234. Bibliografia:
Lourenço PM, Alonso H, Alves JA, Carvalho AT, Catry T, Costa H, Costa JS, Dias MP, Encarnação V, Fernandes P, Leal AI, Martins RC, Moniz F, Pardal S, Rocha A & Santos CD (2018). Monitoring waterbird populations in the Tejo estuary, Portugal: report for the decade 2007-2016. Airo 25: 3-3. Bibliografia:
Lourenço PM (2019). Internet photography forums as sources of avian dietary data: bird diets in Continental Portugal. Airo 26:3-26. Bibliografia:
Lopes RJ, Cabral JA, Múrias T & Marques JC (1998). Contribuição para o conhecimento da dieta de Pilrito-comum Calidris alpina e da Tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola no estuário do Mondego. Airo 9: 27–32. Bibliografia:
Lecoq M, Lourenço PM, Catry P, Andrade J & Granadeiro JP (2013). Wintering waders on the Portuguese mainland non-estuarine coast: results of the 2009-2011 survey. Wader Study Group Bulletin 120: 66-70. Bibliografia:
Equipa Atlas (2018). Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal 2011-2013. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, LabOr- Laboratório de Ornitologia – ICAAM - Universidade de Évora, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (Madeira), Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Lisboa. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Belo JR, Dias MP, Jara J, Almeida A, Morais F, Silva C, Valadeiro J & Alves JA (2023). Synchronous declines of wintering waders and high-tide roost area in a temperate estuary: Results of a 10-year monitoring programme. Waterbirds 45(2): 141-149. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Moluscos com duas conchas, como amêijoas e berbigões, comuns em ambientes intertidais. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Zona costeira entre maré alta e maré baixa, sujeita a alternância de submersão e exposição. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Vermes anelídeos pertencentes à classe Polichaeta. Glossário:
Período geralmente correspondente aos meses de inverno, podendo incluir parte do outono.