Torda-mergulheira
Nome científico: Alca torda
Família alcidae
- Fenologia Continente
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A torda-mergulheira nidifica, entre abril e julho, em ilhas e zonas costeiras do Atlântico Norte e do baixo Ártico. Após a reprodução, a maioria das aves migram para sul, com as populações europeias a atingir o seu limite de distribuição no Mediterrâneo ocidental e Norte de África (Billerman et al. 2026).
Em Portugal ocorre como migradora de passagem e invernante ao longo de toda a costa continental, com maior expressão no centro-norte do país (Meirinho et al. 2014). A migração pós-nupcial tem início em outubro, com o seu pico em novembro (Fagundes et al. 2024). A migração pré-nupcial é visível a partir de janeiro, prolongando-se até abril. A espécie tem sido registada muito pontualmente nos Açores (Birding Azores 2022) e não se conheciam registos anteriores para o arquipélago da Madeira (Meirinho et al. 2014; Correia-Fagundes et al. 2021).
O seguimento individual das aves que visitam as nossas águas ainda é muito limitado - com base nos dados de quatro aves equipadas com GLS, na Islândia, em 2013 e 2014, verificou-se uma fraca utilização da ZEE portuguesa, restringindo-se ao período entre abril e setembro. A maioria dos registos ocorreu na subárea dos Açores, tendo sido detetado apenas um registo no continente e outro na Madeira.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 838.000 a 1.660.000 indivíduos maduros (BirdLife International 2025). A espécie tem apresentado um crescimento significativo na Europa, que alberga mais de 90% da população mundial. Mas este aumento não tem sido notado nas áreas de invernada localizadas mais a sul. Por exemplo, os dados recolhidos no estreito de Gibraltar indicam uma diminuição recente (De la Cruz et al. 2022b), podendo apontar para uma contração na distribuição invernal. Em Portugal continental, a espécie é mais abundante entre novembro e abril, com uma estimativa de 2.000 a 11.000 aves na plataforma continental para o inverno de 2024, com base nos dados usados aqui para a avaliação do estado ambiental. A sua abundância tem revelado grandes flutuações (Fagundes et al. 2024), o que, a par da diminuição no número de indivíduos, culminou com o incumprimento do Bom Estado Ambiental para o indicador de abundância, alinhando-se com o seu atual estatuto de conservação desfavorável na região.
Ecologia e habitat
Frequenta sobretudo as águas pouco profundas da plataforma continental (Huettmann et al. 2005). Em Portugal, é frequente encontrá-la em áreas próximas à costa, podendo entrar em portos de pesca, marinas ou no interior de barras para encontrar refúgio durante e após as grandes tempestades. É uma excelente mergulhadora, podendo atingir várias dezenas de metros de profundidade em busca das suas presas. Alimenta-se de pequenos peixes pelágicos, sobretudo de sardinha, mas explorando também o biqueirão e a galeota (Beja 1989; Gomes 2015).
Ameaças e conservação
A torda-mergulheira é uma das espécies que mais frequentemente arroja nas praias portuguesas (SPEA 2023). A causa de morte não é normalmente identificada devido ao avançado estado de decomposição dos cadáveres. No entanto, a captura acidental em redes de emalhar e de deriva é apontada como uma das principais causas de mortalidade (Costa et al. 2019). Episódios prolongados de mau tempo podem levar à escassez alimentar e provocar eventos de mortalidade massiva (Loring 2023; Oliveira et al. 2023c). Outras ameaças relevantes para a espécie incluem a contaminação por hidrocarbonetos, resultante de derrames acidentais (Munilla et al. 2011), e a redução da disponibilidade de presas (Costa et al. 2019). As prioridades de conservação centram-se na minimização das capturas acidentais em artes de pesca.
Autor
Tânia Nascimento
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Thorarinsson & Kolbeinsson 2014a, Thorarinsson & Kolbeinsson 2015a, Thorarinsson & Kolbeinsson 2015b
SPEA (2023). Monitorização de arrojamentos. Resultados da monitorização 2011-2022 e de um evento extraordinário em 2023. Infografia. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Oliveira N, Varanda IC, Harris MP, Almeida A, Alonso H, Bouça A, Ferreira M, Georg M, Lopes J, Sequeira M, Hilário F & Andrade J (2023c). Caracterização do arrojamento massivo de papagaio-do-mar no inverno de 2022-23 em Portugal Continental. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa (relatório não publicado) Bibliografia:
Munilla I, Arcos JM, Oro D, Álvarez D, Leyenda PM & Velando A (2011). Mass mortality of seabirds in the aftermath of the Prestige oil spill. Ecosphere 2(7): 1-14. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Loring SA (2023). Disentangling the main causes and potential origin of an unusual razorbill (Alca torda) die-off in the Mediterranean Sea: an interdisciplinary approach. Universitat Autònoma de Barcelona. Bibliografia:
Huettmann F, Diamond AW, Dalzell B & Macintosh K (2005). Winter distribution, ecology and movements of razorbills Alca torda and other auks in the outer Bay of Fundy, Atlantic Canada. Marine Ornithology 33: 161-171. Bibliografia:
Gomes FCB (2015). Dieta da torda-mergulheira, Alca torda, capturada acidentalmente em Portugal Continental. Dissertação de Mestrado em Ecologia. Universidade do Minho. Bibliografia:
Fagundes AI, Godinho C, Ramos JA, Oliveira N, Andrade J, Alonso H, Silva E, Ferreira A, Meirinho A, Santos A, Santos C, Cardoso H, Rocha L, Mendes M, Barros N, Ramalho P, Caldeira T & Paiva VH (2024). Temporal Changes in Migratory Seabird Abundance on the Portuguese Coast Revealed by a Citizen Science Project. Ardeola 71(1): 119-143. Bibliografia:
de la Cruz A, Rollán L, Pérez B, Guerrero M, Elorriaga J, Benjumea R, González M, Seminario Y, Arroyo GM & Ramírez J (2022b). Phenology and wintering population estimates of auks in the Mediterranean Sea based on counts from a strategic coastal location in the Strait of Gibraltar. Ardeola 69 (2): 303-317. Bibliografia:
Costa RA, Pereira AT, Costa E, Henriques AC, Miodonski J, Ferreira M, Vingada JV & Eira C (2019). Razorbill Alca torda mortality in the Portuguese west coast. European Journal of Wildlife Research 65: 1-7. Bibliografia:
Correia-Fagundes C, Romano H, Zino FJA & Biscoito M (2021). Birds of the archipelagos of Madeira and the Selvagens III. New records and checklist update (2010-2020). Boletim do Museu de História Natural do Funchal LXXI: 5-20. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Birding Azores (2022). Birding Azores database. Disponível em https://www.azoreswildlife.com/ e acedido a 23.12.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Beja R (1989). A note on the diet of Razorbills Alca torda wintering off Portugal. Seabird 12: 11-13. Dados:
Thorarinsson TL & Kolbeinsson Y (2015b). Dataset 1077: Razorbill, Alca torda, Geolocator (GLS), Latrabjarg, Iceland, Iceland, 2013–2015. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1077/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Thorarinsson TL & Kolbeinsson Y (2015a). Dataset 1076: Razorbill, Alca torda, Geolocator (GLS), Grimsey, Iceland, Iceland, 2013–2015. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1076/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Thorarinsson TL & Kolbeinsson Y (2014a). Dataset 1075: Razorbill, Alca torda, Geolocator (GLS), Langanes, Iceland, Iceland, 2013–2014. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1075/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Áreas onde as aves permanecem fora da época reprodutora, geralmente associadas a condições favoráveis de alimentação e sobrevivência. Glossário:
Equipamentos utilizados na captura de animais marinhos, como redes, palangre ou armadilhas. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Referente ao período que antecede a reprodução. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Nome comum genérico atribuído a várias espécies de peixes ósseos do género Ammodytes. Glossário:
Classificação do grau de ameaça de uma espécie consoante as suas probabilidades de extinção. Os critérios para tal classificação seguem geralmente regras internacionalmente reconhecidas, definidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza [IUCN](http://www.redlist.org) e baseiam-se no tamanho dos efetivos populacionais, na área de ocorrência e na tendência populacional. Este estatuto pode ser nacional ou internacional. Glossário:
Pequeno peixe ósseo da família Engraulidae, cujo nome científico é Engraulis encrasicolus, também conhecido por anchova. Glossário:
Animal morto ou moribundo que vem dar à costa devido à ação dos ventos e das correntes marítimas.